Motivação Não Basta: Por Que a Consistência e a Disciplina São o Verdadeiro Caminho para o Sucesso

Empolgar-se com alguma coisa não é difícil. Para estar motivado, muitas vezes basta assistir a um vídeo, ver uma foto ou ouvir uma música. O desafio verdadeiro está em manter-se disposto a repetir algo por muito tempo, com a finalidade de evoluir. A consistência, especialmente quando os resultados só aparecem após um longo período, é algo difícil de alcançar.

A euforia ativada pelos sentidos e pela fantasia do resultado é quase mágica. Ela nos faz começar, dar o primeiro passo, entrar no jogo. É aquele arrepio na pele, a sensação de superação, um sentimento avassalador que funciona como força motriz das conquistas. A motivação deve, sim, ser valorizada e cultivada, sobretudo em momentos importantes, aqueles que definem se um objetivo será alcançado ou não. Contudo, se dependermos apenas dela, não chegaremos sequer às etapas preliminares do que buscamos. Uma chama alta exige muito oxigênio e combustível; custa mantê-la viva e ela se apaga rapidamente quando tentamos sustentá-la por muito tempo. Por isso, a motivação é essencial para iniciar processos e para nos superar em momentos críticos, mas ela não se sustenta quando o que se exige é tempo. A motivação é um estado, não uma condição permanente.

Não há nada de mágico na repetição. A rotina não gera euforia, pelo contrário, o processo muitas vezes nos faz querer parar antes mesmo de terminar o jogo. Ser consistente, embora seja a base de qualquer conquista, é duro. É por isso que existem poucos atletas olímpicos e poucos bilionários: apenas aqueles que têm estômago para manter a brasa quente, sem se deixar seduzir pela chama ardente que se apaga rápido. A consistência é quase desumana. Não se trata apenas de trabalhar duro, mas de acreditar que aquilo que está sendo feito produzirá algum resultado. A fé, nesse sentido, pode custar mais do que a força de vontade. Abrir mão de si mesmo por algo em que se acredita. O que é isso, afinal, senão devoção?

O desafio está em usar a motivação como chama inicial para avivar as brasas. Criar uma rotina, transformá-la em hábito e, depois, em ritual. Chega um ponto em que já não importa se você gosta ou não do que faz: aquilo se torna o seu rito, o estágio final do que se chama “fazer o que precisa ser feito”. Ainda assim, é preciso assumir o fato de que o objetivo pode não ser alcançado, mesmo com toda a motivação e constância.

Cabe a nós acender a chama da motivação, transformá-la em brasa e mantê-la constante e quente. Assim, estaremos próximos de nossos objetivos, talvez tão próximos que, ainda que não os alcancemos, não carregaremos a mágoa de quem se culpa por ter desistido. Em vez disso, teremos a altivez de quem sabe que fez o que precisava ser feito.

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